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Hamburguinho de Feijão da Eduarda

Chegamos, Eduarda e eu, ao ponto em que toda mãe que pratica BLW enfrenta um dilema: o bebê não quer saber de colher. 

Se por um lado o orgulho é grande, porque você sente que seu bebê é diferente, independente e escolhe o que vai comer, por outro você pensa: “Que eu faço agora, cacete?” Isso porque chega ao nível de dificuldade que os bebês não querem nada líquido. Nem lentilha, nem feijão, nem aquela acalentadora sopinha de outrora. 

Um exemplo do nosso dilema é a lentilha. Eduarda ama lentilha. Em uma das últimas vezes que fui dar a ela, foi uma batalha campal. A guerra dos grãos. Lembro que foi na terça-feira. No almoço, Eduarda tentou pegar a lentilha. E não conseguiu, Saiu com a mão suja e parcos grãos grudadinhos nos dedos. Lambeu. Queria mais lentilha… Coloquei em uma colher, ofertei a ela. Não quis. Deu um tapa na colher. “Chorava” porque queria a amada lentilha, mas não queria que ela chegasse à bordo de uma colher. Que ousadia, a minha. 

Lentilha pela casa. No chão. Branco. Faxineira tinha acabado de sair. Tudo bem. 

A outra porção do prato, um repolho refogadinho com arroz e cenoura, foi metade na boca, metade no chão/cadeirinha. Mas ela comeu. A roupa dela comeu. A roupa da mamãe comeu. 

Eduarda se despede da colher por enquanto, até ela conseguir colocar o talher na boquinha. Eu ainda tento, é verdade, mas confesso que sinto que essa é a hora dela provas novas texturas. Como sempre, recorri ao amado grupo Alimentação Consciente na busca de um norte. Foi-me sugerido que começasse a fazer bolos (que já fazia) e hamburguinhos com esses alimentos que, por hora, ela está negando.  A receita de um hambúrguer de lentilha me foi passada e eu vim para a casa super empolgada e determinada a fazer. 

PORÉM, NÃO HAVIA LENTILHA. hahahahahaah

Decidi adaptar ao que eu tinha em casa e modificar  a receita de maneira que também ficasse nutritiva. Então, aí vai:

Hamburguinho de Feijão da Eduarda

Ingredientes:

– Duas xícaras de feijão já cozido (eu sempre tenho porções congeladas)
– Meia xícara de aveia
– Repolho
– Meia cebola ralada
– Um dente de alho
– Farinha de arroz

Em uma panela, refoguei o alho e o repolho. Cozinhei até ele ficar transparente, mais ou menos assim:

ImagemProcessei o feijão e o repolho refogado no mixer até ficar um caldo grosso. 
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Misturei a cebola ralada e aveia….

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Sim, parece chokito

Fiz hamburguinhos e passei na farinha de arroz. Coloquei em uma fôrma untada e levei ao forno por mais ou menos 20 minutos. Depois, virei para dourar o outro lado. O “segredo” é ir cuidando, nunca dei muito certo com timer de fogão :P
Servi com “canjiquinha primavera” (depois posto a receita aqui). 
ImagemEduarda ficou meio curiosa, fuçou, olhou,lambeu… e comeu \o/
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Salada com frango desfiado para o calor

Acho que hoje foi o dia mais quente desse verão aqui em Carlos Barbosa. São 22h25min e ainda está  insuportável. Pensem no quanto isso é inimaginável para a serra gaúcha. Dá vontade de não viver mais, gente.

MAS, como mãe é mãe e precisa ir pra cozinha, vamos lá. Decidi fazer uma jantinha pra minha pequena que ela pudesse comer fria. Ainda não me agrada a ideia das sopas geladas, acho uma meleca. Um dia tentarei uma versão baby para ver se a Eduarda gosta. Minha opção de hoje foi um prato bem colorido, com legumes cozidos e frango desfiado. Vamos lá.

Ingredientes:

– Cebola
– Alho-poró
– Tomate
– Cenoura
– Vagem
– Beterraba
– Batata
– Brócolis
– Peito de frango
– Salsinha
– Açafrão
– Sálvia

Como eu não tenho panela para cozimento a vapor (próxima aquisição), fiz os legumes na panela de pressão. Refoguei o alho, o tomate e a cebola em um fio de azeite. Cortei a cenoura, a beterraba e a batata em palitos. Acrescentei os ingredientes na panela de pressão junto com a vagem, um pouco de água e duas folhas de sálvia. Deixei 5 minutos na pressão. 

Enquanto isso, refoguei de novo o meu trio amado de tomate, cebola e alho junto com salsinha. Acrescentei as iscas de frango e o açafrão. Deixei cozinhar bem e absorver toda a água do cozimento. 

O brócolis eu deixei 30 segundo na água fervente, só pra ele ganhar uma cor e não ficar mole. Passei o frango no mixer para deixar desfiado e montei o prato. Ficou lindo 

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Colorido e refrescante

O frango eu dei com colher pra Eduarda e os legumes ela comeu todos com a mãozinha. Como sempre, ela amou. Como o prato esfriou, ficou tipo uma sala enriquecida. A sobremesa de hoje foi melancia. 

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Sujeiramaaaaaaaa

E a cara de felicidade depois de comer tudo?
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BLW ou mamãe tem medo que eu engasgue

Trago um assunto que até agora só vi sendo tratado por profissionais, mas nunca li um depoimento de mãe sobre a experiência com BLW.

Primeiro, vamos desdobrar e explicar a sigla. A sigla corresponde a baby-led weaning. Ou seja: o bebê “lidera” a sua alimentação. Consiste em deixar com que o bebê, já em fase de introdução alimentar, leve seu alimento à boca. Pra isso, é necessário deixar que ele coma “sozinho”. Entre aspas, porque sempre é necessária a supervisão. O raciocínio é simples: o bebê não tem nada forçado na sua boca. Ele descobre, ele sente o sabor e a textura e ele decide se quer comer ou não.

Bonito, não é? Maravilhoso. Mas de arrancar os cabelos. Toda mãe tem medo que o filho engasgue, ora essas. E aí vêm as dúvidas:

E se ele não se alimentar direito?

E se ele não quiser nada?

E se ele se engasgar?

E se ele não conseguir mastigar porque não tem dentes?

Em todos os lugares que pesquisei, em todas as comunidades que entrei (e logo após saí), eu via gente abominando a papinha e repetindo um mantra “Confie no bebê, confie no bebê ohmmmmm”. Olha, era até irritante no começo. No medo da Eduarda engasgar com algo, cheguei a comprar aquela chupeta de frutas, sabe? Dinheiro jogado fora. Eduarda usou duas vezes, o troço ficou encardido e difícil de lavar. Nojinho.

Sempre deixei pedacinhos na comida da Eduarda. Estávamos evoluindo muito bem até que, com sete meses, ela teve uma amigdalite violenta. Só aceitava mamá e nada mais. Comecei a bater a comida, deixar quase líquida, e aí ela se alimentava. Pouco, mas se alimentava. No primeiro final de semana que ela apresentou melhora, dei um brócolis pra ela. Nunca vi tanta festa. O que menos fez foi comer, mas ela entendeu que aquela arvorezinha também era alimento. Foi o primeiro passo pra BLW.

Nunca abdiquei de dar comida pra minha filha. Sempre fiz a comidinha, dei com colher, fiz avião, brinquei. Ela sempre se alimentou muito bem, e se alimenta até hoje. Com o tempo fui dando mais coisas nas mãos dela e confiando mais. É impressionante a capacidade deles (os loucos do mantra estavam certos) de se alimentarem e, pasmem: NÃO SE ENGASGAREM. Isso porque, quando o bebê sente que vai engasgar, faz o movimento de vômito. Tecnicamente chamado de Gag Reflex. Com o tempo, eles perdem esse reflexo, mastigam a comida e engolem bonitinho.

Decidi começar a testar com a sobremesa. Aliás, faz pouco que Eduarda come sobremesa, eu sempre dava peito. Decidi dar uma laranja (nessa ocasião aí da foto do header do blog) e ela amou. Eu tinha muito medo que ela largasse o peito por estar satisfeita, mas a menina não é boba, não! Come janta, come sobremesa e dá-lhe peito depois! Fui dando várias frutas pra ela e hoje ela só come fruta assim. De duas semanas pra cá, o lanchinha dela pra escolinha é nesse formato:

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“É que eu queria plantar um pezinho de carambola, pra que vire uma árvore de carambolas que dê milhões de carambolas.”

O resultado da minha experiência com a Eduarda é muito positivo, ou pelo menos está sendo até agora. A única coisa é que a mocinha só quer comer assim de uns tempos pra cá. Então, eu tenho que me virar na criatividade, porque ela ainda não consegue colocar a colher na boca sem transformar a cadeirinha em uma zona de guerra. Olhem a galeria da moça:

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Pêssego, Pitaia, Melão e Bergamota (essa de hoje à noite)

Vale lembrar que eu misturo os dois métodos. Ainda não me sinto 100% confiável pra deixar que Eduarda almoce ou jante sozinha (é um bebê, gente), mas encorajo ela a comer com as mãozinhas. E é muito lindo <3