BLW ou mamãe tem medo que eu engasgue

Trago um assunto que até agora só vi sendo tratado por profissionais, mas nunca li um depoimento de mãe sobre a experiência com BLW.

Primeiro, vamos desdobrar e explicar a sigla. A sigla corresponde a baby-led weaning. Ou seja: o bebê “lidera” a sua alimentação. Consiste em deixar com que o bebê, já em fase de introdução alimentar, leve seu alimento à boca. Pra isso, é necessário deixar que ele coma “sozinho”. Entre aspas, porque sempre é necessária a supervisão. O raciocínio é simples: o bebê não tem nada forçado na sua boca. Ele descobre, ele sente o sabor e a textura e ele decide se quer comer ou não.

Bonito, não é? Maravilhoso. Mas de arrancar os cabelos. Toda mãe tem medo que o filho engasgue, ora essas. E aí vêm as dúvidas:

E se ele não se alimentar direito?

E se ele não quiser nada?

E se ele se engasgar?

E se ele não conseguir mastigar porque não tem dentes?

Em todos os lugares que pesquisei, em todas as comunidades que entrei (e logo após saí), eu via gente abominando a papinha e repetindo um mantra “Confie no bebê, confie no bebê ohmmmmm”. Olha, era até irritante no começo. No medo da Eduarda engasgar com algo, cheguei a comprar aquela chupeta de frutas, sabe? Dinheiro jogado fora. Eduarda usou duas vezes, o troço ficou encardido e difícil de lavar. Nojinho.

Sempre deixei pedacinhos na comida da Eduarda. Estávamos evoluindo muito bem até que, com sete meses, ela teve uma amigdalite violenta. Só aceitava mamá e nada mais. Comecei a bater a comida, deixar quase líquida, e aí ela se alimentava. Pouco, mas se alimentava. No primeiro final de semana que ela apresentou melhora, dei um brócolis pra ela. Nunca vi tanta festa. O que menos fez foi comer, mas ela entendeu que aquela arvorezinha também era alimento. Foi o primeiro passo pra BLW.

Nunca abdiquei de dar comida pra minha filha. Sempre fiz a comidinha, dei com colher, fiz avião, brinquei. Ela sempre se alimentou muito bem, e se alimenta até hoje. Com o tempo fui dando mais coisas nas mãos dela e confiando mais. É impressionante a capacidade deles (os loucos do mantra estavam certos) de se alimentarem e, pasmem: NÃO SE ENGASGAREM. Isso porque, quando o bebê sente que vai engasgar, faz o movimento de vômito. Tecnicamente chamado de Gag Reflex. Com o tempo, eles perdem esse reflexo, mastigam a comida e engolem bonitinho.

Decidi começar a testar com a sobremesa. Aliás, faz pouco que Eduarda come sobremesa, eu sempre dava peito. Decidi dar uma laranja (nessa ocasião aí da foto do header do blog) e ela amou. Eu tinha muito medo que ela largasse o peito por estar satisfeita, mas a menina não é boba, não! Come janta, come sobremesa e dá-lhe peito depois! Fui dando várias frutas pra ela e hoje ela só come fruta assim. De duas semanas pra cá, o lanchinha dela pra escolinha é nesse formato:

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“É que eu queria plantar um pezinho de carambola, pra que vire uma árvore de carambolas que dê milhões de carambolas.”

O resultado da minha experiência com a Eduarda é muito positivo, ou pelo menos está sendo até agora. A única coisa é que a mocinha só quer comer assim de uns tempos pra cá. Então, eu tenho que me virar na criatividade, porque ela ainda não consegue colocar a colher na boca sem transformar a cadeirinha em uma zona de guerra. Olhem a galeria da moça:

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Pêssego, Pitaia, Melão e Bergamota (essa de hoje à noite)

Vale lembrar que eu misturo os dois métodos. Ainda não me sinto 100% confiável pra deixar que Eduarda almoce ou jante sozinha (é um bebê, gente), mas encorajo ela a comer com as mãozinhas. E é muito lindo <3

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Mamando depois da licença + receita de sorvete

Esse tema é complexo e até mesmo polêmico. A licença maternidade no Brasil conta com criminosos quatro meses. Digo criminosos porque é um atentado contra a mãe e o filho. O raciocínio é simples: se a Organização Mundial da Saúde orienta a manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, por que diabos as leis trabalhistas brasileiras não contribuem pra isso?
No meu caso, tive um facilitador. Tirei 30 dias de férias junto com a licença e pude ficar cinco meses com a Eduarda em casa.
Eduarda sempre foi muito mamona. Mamou ainda na primeira hora de vida e nesse momento nasceu o caso de amor dela com meus peitos. (É incrível, ela tem fascinação pelo mamá, gente).

Quando ela tinha cinco meses, voltei a trabalhar. E aí, o drama: COMO MANTER ATÉ OS SEIS MESES?
Foi difícil. Com muita persistência, ordenha, mastite, eu consegui. Nós conseguimos, aliás.
O que ninguém fala a nós, mães de primeira viagem, é que depois da tão sonhada introdução alimentar, a coisa não fica mais fácil. Isso porque o bebê, acostumado com seu alimento direto da fonte, sem uma colher socada na boca, sempre na mesma temperatura, não vai passar a comer assim, de uma hora pra outra. E a coisa tem que ser devagar. Não adianta entrar em desespero, enfiar comida na criança e o estômago dela virar o samba do criolo doido. É vômito e má digestão na certa.

Foi aí que meu leite começou a diminuir. Desesperada, comprei uma lata de Nan. Eduarda odiou. Gosto horrível tem aquilo. Tomou muito pouco e colocou tudo pra fora. Daí me vi obrigada a encontrar uma solução para o meu problema e garantir que ela levasse o leitinho dela todos os dias para a escolinha. Ordenha, noites mal-dormidas, muita água, muito peito cheio e, advinhem: CONSEGUIMOS.

Somente agora, com dez meses, Eduarda tem mamado apenas em casa. Com a iminente chegada de um ano de vida, a alimentação precisa ser mais rica, e aí sim o leite, que até agora era o alimento principal, vira complementar. Mesmo assim, ela mama bastante: quando acorda, depois do almoço, antes da janta, depois da janta e na madrugada. Ufa! Durante o dia, quando está longe de mim, abusamos de frutas, sorvete caseiro (receita abaixo), água e comidinhas.

O que me deixa triste é que nem todo mundo tem orientação ou o interesse por buscar. Ou até mesmo encontra em alguns pediatras a indicação de antecipar a introdução alimentar em virtude da volta ao trabalho. Antes, eu ficava muito puta com isso. Indignada mesmo. Agora eu acredito que a compreensão é mais acolhedora que a recriminação. Talvez chegue o dia em que os pediatras sigam as orientações e não caiam na tentação de antecipar fases da vida de um bebê.

Vamos ao sorvetinho.

Que faz calor, todo mundo sabe. Calor + dentes = necessidade de refrescância. No corpo e na gengiva.

Desde os nove meses, Eduarda experimenta a delícia de um sorvetinho. Faço em casa, tá louca que vou dar gordura pura pra minha filha só porque sim :P

SORVETE DE BANANA COM MIRTILO

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prazer, mirtilo.

Ingredientes:
– Banana e Mirtilo (cê jura, né)

Corto a banana em rodelas e deixo no congelador por uma madrugada. Coloco o mirtilo inteirinho junto também, bem lavado, com casca.

A quantidade vai depender de quanto você quer comer/dar ao seu bebê. Pra uma porção, que dá mais ou menos uns 200ml, uso duas bananas médias e vários mirtilos (eles são pequenos).

Retiro do congelador, coloco tudo no mixer e bato até virar um creme. Pronto! Já fica docinho, por causa da banana.

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“Mãe, esse sorvete engorda?”

Dá pra fazer com mamão, abacate (que Eduarda odeia, mas dá), goiaba. Essas frutas mais consistentes. Eu gosto com banana, porque ela deixa doce e pastoso. Eduarda devora.

Bolinhos de carne

Eduarda está crescendo, e com a chegada dos dentes, nada mais escapa dela. A nossa pequena, que já não andava muito fã de colher, agora só quer comer com as mãozinhas.
Decidi fazer uma comida refrescante – ou que pelo menos não precisasse ficar quente para ficar gostosa.
A janta de hoje foi bolinho de carne, arroz colorido e salada de nabo e pepino!

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Bolinho de carne:
– guisadinho cru
– alho
– cebola
– tomate
– cenoura ralada
– salsinha
– ovo cru
– aveia

ralei a cebola, o alho e a cenoura. misturei o tomate picadinho e a salsinha. juntei o guisado. amassei com a mão. quebrei um ovo, misturei ao guisadinho e coloquei aproximadamente uma xícara de chá de aveia em farelo. untei uma forma com azeite e fui dando forma aos bolinhos. deixei por aproximadamente 35 minutos no forno pré-aquecido a 180°C.

Arroz:
– cebola
– alho
– beterraba
– brócolis
– arroz
refoguei cebola e alho, deixei dourar. acrescentei os outros ingredientes e deixei cozinhar.

A sobremesa foi melancia! Olhem a carinha traçando um pepino kkkkkk primeira vez que provou!

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“Yakissobinha”

Primeira receita do blog é o almoço de domingo.

Aqui em casa nós gostamos bastante de Yakissoba. Aliás, gostamos de comidas fortes. Eduarda está começando a se adaptar ao cardápio da casa, visto que daqui a dois meses completa um ano. Aliás, acho que nós que vamos ter que nos adaptar, porque a alimentação da pequena é muito mais saudável :P

Domingo fizemos Yakissoba, cuja receita não vou postar porque todo mundo sabe fazer um (e porque esse tinha shoyo e maisena)
Pra não deixar a nossa pequena de fora, fiz uma “versão baby”

Ingredientes:

– alho, cebola e tomate
– cenoura em cubos
– brócolis
– nabo em cubos
– peito de frango em iscas
– macarrão de letrinhas (pode ser cabelinho de anjo também).

Refoguei o alho, a cebola e o tomate em azeite de oliva. Deixei dourar e soltar um caldinho. Acrescentei o peito de frango cortado em iscas (Eduarda gosta de pegar com a mão e comer um por um). Deixei dourar. Acrescentei os outros ingredientes, água, e deixei cozinhar. Quando tudo estava cozido, coloquei o macarrão. Ficou uma delícia. Eduarda comeu com hashi <3 <3

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O mais clarinho (sem shoyo) é o da nossa baby :)

O começo

Decidi começar esse “braço” do Pãozinho no Forno por diversos
fatores.
Quando engravidei, eu não tinha a mínima noção de alimentação de
bebês e crianças. Eu só pensava em amamentar, porque pra mim, era mais do que natural. E continua sendo.

Os meses passaram, Eduarda completou seus seis meses em aleitamento
materno exclusivo e foi chegada a hora das papinhas.
Eu, até então só tocava na cozinha para pizzas e comidas calóricas (que ainda amo muito, é verdade), me vi em um dilema materno:

Aprendo a cozinhar ou caio nos industrializados?

Antes de arrancar os cabelos, respirei, pesquisei e me aventurei na cozinha. E quando a gente realmente gosta e acredita em algo, a gente vai adiante, levanta bandeira, se informa, participa de grupos de discussões, vira assunto, vira “dona da verdade”, vira “vad**”, vira “rainha da cocada preta”, mas levanta a cabeça e segue adiante.

Exagero? Experimentem defender algo que todo mundo é contra ou está
acostumado a fazer de um jeito diferente. Experimentem levantar a
bandeira de uma vida saudável sem ser chamada de “natureba” ou
ouvir um “coitadinha da bebê não tem docinho?” com aquela voz
irritante que as pessoas fazem pra falar com crianças.

Experimentem e me digam. É uma luta diária.

Ainda o outro motivo que me levou a criar o blog foi o incentivo das mães do grupo Alimentação Consciente, no Facebook. Como cada coisa que invento pra minha filha eu posto lá, algumas pediram pra eu reunir receitinhas. E aqui estou :)

Pequenos desabafos à parte, começo o blog com uma informação que
recebi ontem. A Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul faz uma
excelente campanha contra a Obesidade Infantil (aqui está o link)

Folhetos são distribuídos em consultórios (acho que deveria ter em escolas, creches etc hehehehehhe) e eu reproduzo os 10 mandamentos para alimentação saudável aqui para todo mundo ter acesso :)

1. Dar somente leite materno até os seis meses de idade, sem
oferecer água, chás ou outros alimentos
2. A partir de seis meses, introduzir GRADATIVAMENTE outros
alimentos, mantendo o aleitamento materno até os dois anos ou mais
3. Após os seis meses, dar alimentos complementares três vezes ao
dia, se a criança receber leite materno
4. A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de
horários, respeitando sempre a vontade da criança
5. A alimentação complementar deve ser espessa desde o início.
6. Oferecer à criança diferentes alimentos todos os dias
7. Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas
refeições
8. Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas,
salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida.
9. Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos
10. Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar,
oferecendo a alimentação habitual e seus alimentos preferidos,
respeitando sua aceitação.

Eu acrescentaria abolir industrializados, principalmente na fase de introdução alimentar das crianças. Não tem coisa melhor que se lambuzar com uma fruta ou comer uma comidinha caseira. Além de estimular a mastigação (coisa que papas industrializadas não conseguem, pois a consistência é pastosa demais), as crianças podem conhecer o real sabor das coisas e assim já formar a sua preferência.

Quando me perguntam o porquê de eu não dar doces pra minha filha eu respondo que tudo tem seu tempo. E tem mesmo! mas antes que ela conheça chocolate, bolachinha e coisas com açúcar, eu prefiro que ela tenha o paladar bem formado.

Lá na aba “sobre” eu escrevo um pouco mais a respeito do início e da alimentação da Eduarda. Espero que gostem <3

Diário Culinário da Eduarda