Introdução Alimentar: relato e dicas

Vou falar aqui sobre introdução alimentar. Mas, atenção: digo e repito aqui que não sou especialista em nada (a minha formação está ali no cantinho, na página principal). Sou apenas uma MÃE contando sua experiência.

Passados os seis meses de aleitamento materno exclusivo, chegou a hora da primeira papinha. Sim, o momento é muito esperado com ansiedade pelas mães. Principalmente para aquelas que voltam a trabalhar antes do término dos seis meses e dependem da ordenha diária para alimentar seus bebês (NADA DE ANTECIPAR A INTRODUÇÃO ALIMENTAR).
Nosso pensamento é que as coisas mudem do dia para a noite, mas não é assim. Até um ano, o leite materno é o principal alimento do bebê e você vai agradecer aos céus ou a quem você acreditar pela amamentação.

Isso porque haverá momentos difíceis: seu lindo bebê não vai querer comer, vai te enxergar e querer só mamar, mamar e mamar. Vai fazer cara feia para a comida que você preparou com todo o afeto do mundo. Vai deixar o prato intocável ou vai tocar uma ou duas colheradas e babar tudo, inutilizando a papinha. Quando isso acontecer, quando ele não quiser se alimentar, você tem o maior trunfo nutricional: o mamá.

Então, minha principal dica é: NÃO SE DESESPERE, TENHA PACIÊNCIA.

Aqui em casa começamos com um mamãozinho papaia. Fruta macia, de fácil digestão, docinha, gostosa. Tirei as sementes, coloquei em um pratinho e ofertei à Eduarda, ainda no carrinho. Na primeira colherada ela deu uma cheirada (???). Analisou. Decidiu abrir a boca. E comeu. E assim foi, devagar, uma atrás da outra. Deve ter comido umas cinco colherzinhas de mamão. VITÓRIA.

Repeti a fruta por três dias. Foi um excelente começo. Ela mamava bastante, comia sua frutinha no meio da tarde, continuava mamando e assim ia. Passados alguns dias de adaptação, eu não lembro ao certo quantos, passei para os “salgados”. Acredito que Eduarda devesse ter uns seis meses e meio, por aí.

Primeiro mamãozinho
Primeiro mamãozinho

Percebam o que eu fiz: cozinhei uma cenoura hahahahaha Amassei e dei pra ela. Ela ODIOU. Não tocou, fez cara feia, não forcei. Decidi trocar logo depois, fazer uma batatinha amassada. A aceitação foi melhor. Eu tinha muito medo de fazer alguma coisa muito forte, uma combinação de ingredientes que fizesse mal à Eduarda. Eu fui cautelosa até demais nesse sentido.

Então, decidi fazer uma refeição pra Eduarda. Não vou colocar aqui o passo a passo com fotos, porque se eu faço isso pra Eduarda ela vai me olhar tipo “cadê meu banquete?” hahahah, mas dentro do que eu me lembro, esses foram os ingredientes:

– pedaço pequeno de abóbora
– duas folhas de couve bem picadinhas
– um pedaço pequeno de cebola
– um pouco de salsa bem picadinha
– uma colher rasa das de café de óleo de girassol

Piquei todos os ingredientes, refoguei a cebola no óleo, coloquei água mineral (sem gás, né gente), soltei a abóbora e as folhas de couve e depois a salsinha. Deixei cozinhar, AMASSEI e servi. Sem liquidificador ou peneira. Amasse com o garfo, porque o bebê precisa exercitar a mastigação.

Essa foi a primeira “refeição” “salgada” da nossa filhota.

Aqui em casa, eu fui colocar pitadinha de sal na comida quando Eduarda completou dez meses, para ir acostumando lentamente o paladar dela à comida da casa, já que daqui a pouco ela completa um ano e já pode comer a nossa comida (ou melhor, nós comermos a comida saudável dela hahahhaha).

Essa papinha eu repeti por uns três dias, SÓ NO ALMOÇO. Introduzi janta quando Eduarda tinha mais de sete meses. Nos intervalos, sempre leite materno.

Depois, tem a papinha sequencial, com mais ingredientes. Pelo que eu me lembre, foi essa aqui:

Caldinho de Legumes
1 inhame
1 cenoura
1 batata
1 tomate sem pele e sem sementes, e de preferência absoluta orgânico
Salsa e cebolinha
1 pedaço pequeno de cebola
1 rodela e alho poró
1 colher de chá de óleo
Refogue no óleo a cebola, o alho poró e o tomate. Quando estiver douradinho, solte os outros ingredientes picados, a salsa e a cebolinha e complete com água. Deixe cozinhar bem e sirva amassado.

Tenho várias receitas e vou postando assim que der e que eu conseguir organizar o blog para tornar mais ~profissional~ hahahaha

Papinha com beterraba, que a Eduarda foi amante por MUITO tempo
Papinha com beterraba, que a Eduarda foi amante por MUITO tempo

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Existem grupos de alimentos que podem ajudar a mãe a elaborar as primeiras papinhas, fazendo combinações que os bebês prefiram. O ideal é que as papinhas contenham um item de cada grupo nas primeiras semanas. Depois, elas passam a ficar mais elaboradas.

Grupo 1 (carboidratos): batata, batata doce, mandioca, inhame, quinoa, aveia, abóbora, mandioquinha, milho.
Grupo 2 (legumes e verduras): cenoura, beterraba, couve-flor, abobrinha, brócolis, quiabo, chuchu, berinjela, jiló, rabanete, nabo.
Grupo 3 (folhas): couve, alface, rúcula, repolho, chicória, almeirão, agrião, escarola, espinafre, broto de feijão, mostrada, radicci.
Grupo 4 (carnes): carnes de boi, frango, peixe. No começo, eu retirava a carne para oferecer à Eduarda, mas a recomendação é que elas devem ser moídas ou desfiadas e fazer parte da papinha.

PARA DAR GOSTO: Como já disse, nada de sal por aqui. Mas comida sem gosto ninguém merece. então, sempre usei temperos naturais e frescos: manjericão, salsinha, sálvia, orégano, alho poró, alho, cebola, cebolinha…

OVO: sempre ofereci aqui em casa. Primeiro, 1/4 do ovo inteiro, depois, 1/2 e assim por diante. Hoje, Eduarda AMA ovo e come inteiro.

ARROZ, FEIJÃO, LENTILHA, GRÃOS DIVERSOS: Preferi dar depois, quando ela já estava comendo melhor. Também nunca dei o caldo do feijão ou da lentilha, sempre dei com o grão.

PAPINHAS DOCES: no começo, não combinava frutas, sempre uma fruta in natura. Depois, fui combinando. Comecei com as seguintes frutas: maçã, banana (qualquer tipo), mamão papaya. Hoje, Eduarda come praticamente todas as frutas que eu conheço e até mais.

gorda pêra
Estraçalhando uma pêra de sobremesa.

SOBREMESA: Passei a incluir há mais ou menos um mês. Sempre dava leite materno como sobremesa no almoço – e ainda dou – Ela se esbalda mesmo é na janta, quando dou uma laranja pra ela chupar depois de comer.

LEITE MATERNO: Sempre ordenhei para ela levar para a escolinha. Levava de 200 a 250ml de leite para tomar nos intervalos das refeições na manhã e mais 200 – 250ml à tarde. Além disso, mamava em casa. Hoje, com quase onze meses, Eduarda só mama em casa, mas mama em livre demanda e bastante. Não tem hora para mamar, às vezes até minutos antes da janta hehehehe

SUCO: Muito raramente, prefiro que ela tome água (e essa é a recomendação até um ano). Só lancei mão de sucos nos calores que fizeram naquelas semanas, de 40 ºC. Fazia de melancia, sem água e, no máximo, 100ml

PÃES, BOLACHAS, BISCOITOS, FARINÁCEOS: Proibidíssimo lá em casa antes de um ano.

IOGURTE NATURAL: Esse, fui ofertar aos dez meses também, batido com alguma fruta e em pequenas doses, só pra diversificar o lanche. NUNCA depois de refeições como almoço e janta, já que o cálcio presente dificulta a absorção de ferro.

CONSISTÊNCIA: Não gosto de regras. Não acho que a mãe PRECISE fazer BLW com o bebê para se sentir “por dentro” da coisa. Aqui, as papinhas eram amassadas e misturadas no começo. Depois, aos sete meses, passei a separar ingredientes, em pedacinhos maiores. Dei pedaços inteiros quando me senti confiante e comecei com coisas que eu sabia que ela não poderia engasgar facilmente: metade de laranja sem semente, melancia, pêssego inteiro, brócolis, couve-flor. Daí, acostumou e não gosta muito de uma colher na boca dela, então eu faço bolinhos, como vocês podem ver aqui. Hoje, a comida da Eduarda não é amassada, é pratinho de gente grande, mesmo.

DIFICULDADES:Eduarda não comia todas as vezes que a comida era ofertada. Depois que estávamos mais “firmes” no almoço, ela adquiriu uma amigdalite. Voltamos ao aleitamento materno exclusivo por uma semana, já que ela não queria comer nada. Tive que me afastar do trabalho nesse período para garantir que ela mamasse o quanto quisesse. Parecia que eu tinha novamente uma recém nascida em casa. Nessa fase, não desisti de fazer as comidinhas dela e aí lancei mão do mixer, para deixar quase líquida. Era o jeito que ela aceitava. Depois, voltei a dar amassada, daí em pedaços maiores e assim foi.

CONSELHOS, SE EU PUDER DAR: Mesmo que seu bebê não coma, sempre faça sua comidinha. Não caia nos industrializados, cozinhe com amor, com afeto, com carinho. Tenha paciência, amamente sempre que ele quiser e não se desespere. Ele vai sentir gosto pela comida naturalmente. Não dê nada que vicie seu paladar: sal, açúcar, industrializados como aqueles caldos prontos. Opte sempre pelo natural.
Não reutilize a papinha, a não ser que ela não tenha tido contato com a saliva do bebê.
Não force a barra. Não quer, não quer. Paciência. Não quer jogar fora? Coma um pouco. Mas não faça da alimentação uma hora traumática.
Não caia na besteira de dar comida em frente à tv ou com o bebê brincando. Ele tem que saber que é hora da comida e nada mais. E faça disso algo divertido para vocês, junto com a família, conversando.

Refeições sempre foram eventos lá em casa. Aqui, almoço de negócios com o Dadai
Refeições sempre foram eventos lá em casa. Aqui, almoço de negócios com o Dadai, bem novinha!

Espero ter ajudado de alguma forma! Se precisarem de dicas e eu ter, peçam nos comentários.  Esse post eu fiz em “homenagem” à Dany, e ao Artur, que logo logo vai começar a comer. Boa sorte pra vocês!

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2 opiniões sobre “Introdução Alimentar: relato e dicas”

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