Uma escola sem guloseimas

Buenas! Faz tempo que quero publicar esse texto, mas só encontrei tempo para traduzir agora (estava em espanhol). observem que maravilhosa notícia: escolas do Uruguai, a partir de março, abolirão vendas de salgadinhos, guloseimas e outras porcariazinhas. E isso em toda a rede de ensino, privada e particular, para todas as idades. TODAS.

Uruguay: adiós a ’snacks’ y cola en las escuelas

A partir de março, as cantinas das escolas e liceos* do Uruguai não terão mais à venda refrigerantes, snacks, alfajores ou outros alimentos considerados perigosos à saúde, informa El País. Em cumprimento à lei 19.140, o Ministério da Saúde Pública estabelecerá a venda de comidas e bebidas saudáveis.

Sucos com 100% de fruta, biscoitos feitos com óleo (sem manteiga nem margarina), doces elaborados com leite (mas com no máximo 12,2 gramas de açúcar a cada 100ml), frutas e cereais. Esses são alguns dos alimentos autorizados para venda nas instituições de ensino. Tendo isso em vista, a aparência das cafeterias mudará radicalmente a partir deste ano: A expectativa é convertê-las em “quiosques saudáveis”.

A iminente lei uruguaia que estabelece a proteção “da população infantil e adolescente que frequenta estabelecimentos de ensino, públicos e provados, através da promoção de hábitos alimentares saudáveis”, foi proposta pelo deputado nacionalista Javier García, votada em 2013 e ainda não regulamentada. Mesmo assim, será posta em prática a partir de março, quando começa o ano letivo.

O Ministério de Saúde Pública (MSP), em conjunto com o Ministério de Educação e Cultura (MEC) e a Administração Nacional de Educação Pública (ANEP) desenvolveram a lista de alimentos convenientes para vender nas instituições educativas. A diretora geral de Saúde do MSP, Marlene Sica, disse ao “El País” que também se mantiveram reuniões com a Câmara de Indústria, e que “todas as partes” apoiam a implementação de uma nova lei.

A lista, a qual o jornal [El País] teve acesso, não é definitiva, e contempla as linhas gerais da versão final. Ela se divide em três grupos: um de “alimentos e bebidas naturais ou minimamente processados”, outro de “alimentos processados embalados que cumpram com os limites estabelecidos quanto ao conteúdo calórico e de nutrientes” e outro de “preparações embaladas no ponto de venda”.

*”Liceo” é outro estágio da escola, tipo um ensino médio. Geralmente, são estabelecimentos separados das escolas. 

O texto original está aqui e a reportagem do jornal El País, aqui.

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Poucos sabem, mas eu sou de origem uruguaia. Tenho o maior arrependimento do mundo de não ter estudado nesse país, que prima pela qualidade de vida em todas as fases da vida do ser humano. Não sei se a minha realidade foi muito diferente, porque cresci em meio a um círculo policial – classe muito valorizada no país. Mas cresci com muita qualidade de vida. Meu avô plantava uma horta impecável nos fundos da casa, com criação de galinhas (sem hormônios), porcos, milhos, tomates, alface, nabo, beterraba e todas as frutas e verduras imagináveis. Minha maior lembrança de infância era ele colhendo cenoura, eu lavando e comendo com casca e tudo. A “deturpação” ficava por conta da minha vó, cozinheira de mão cheia, com bolos, tortas, doces, pastéis… Lembranças doces da infância, que me fizeram uma criança muito saudável e feliz. Eu só fui degringolar pra alimentação incorreta na pré-adolescencia e adolescência, quando conheci fast food aos onze anos. Não digo que me tornei fã, mas até curtia um Big Mac. Se bem que isso é outra história, e não interessa a vocês, agora que estou phyna e magra mais saudável. O próximo passo é curar o vício em chocolate :~

Acredito estejamos acomodados nesse quesito, o de alimentação nas instituições de ensino, especialmente cantinas. Quantas vezes você já pensou nessa questão ao pensar em seus filhos na escola? Eu penso toda hora e bato nessa tecla. Quando Eduarda ir estudar, eu quero conferir tudo de perto. Quero poder expor a minha opinião e ser respeitada. Se eu quero mudar o mundo de alguma forma, se não quero ver minha filha sucumbir à essa epidemia da obesidade causada pela má-alimentação, eu devo começar por mim e por ela.

Hoje, em uma situação completamente adversa, eu ouvi (li) as seguintes palavras (mais ou menos): “Você é uma pessoa difícil, não fale comigo, não quero contato contigo, não me faz diferença”. Confesso que não fiquei triste, mas fiquei meio chocada. Sim, eu sou difícil, porque eu não mostro os dentes pra todo mundo. E sim, talvez a pessoa em questão não goste de mim porque nosso principal “conflito de ideias” seja sobre alimentação.  Talvez eu defenda meu ponto de vista e pense de uma maneira muito diferente. Isso é ser arrogante, na visão da maioria, e não adianta eu explicar, jurar de pé junto que não sou, porque a minha cara e a minha convicção não ajudam muito. Se por cuidar da alimentação da minha filha (sim, porque isso é assunto na sociedade de mães que abominiam a minha conduta) é ser difícil dificílima, continuarei sendo. Vou firmar o meu pé no meu “radicalismo” até o final, com a consciência que estou fazendo o que está no meu alcance para a minha filha ser saudável e feliz.

O blog? Bem, o blog eu não criei para aparecer. Eu criei para, dentro do meu parco conhecimento, ajudar e reproduzir informações que eu procuro todos os dias. Se tem uma coisa que não combina comigo, apesar da minha cara de prepotente, é eu me achar mais que os outros. Isso, não. Eu sou igual. Eu acordo dolorida, eu tenho dias de cabelo ruim, eu conto até dez, eu explodo, eu passo semanas a fio sem saber o que é um esmalte, eu às vezes quero ir por um caminho mais fácil – mas não vou.

Se incomoda, paciência. Vão ter que me engolir, como dizem por aí.

Aos que leem com carinho e entendem a mensagem, muito obrigada. A caminhada não é solitária :)

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2 opiniões sobre “Uma escola sem guloseimas”

  1. Raquel, parabéns pelo teu blog, entro sempre que posso e adoro!
    Admiro teu carinho, preocupação e cuidado com a alimentação da tua filha, me identifico muito.
    Continua assim sempre! Beijão!

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