Mamando depois da licença + receita de sorvete

Esse tema é complexo e até mesmo polêmico. A licença maternidade no Brasil conta com criminosos quatro meses. Digo criminosos porque é um atentado contra a mãe e o filho. O raciocínio é simples: se a Organização Mundial da Saúde orienta a manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, por que diabos as leis trabalhistas brasileiras não contribuem pra isso?
No meu caso, tive um facilitador. Tirei 30 dias de férias junto com a licença e pude ficar cinco meses com a Eduarda em casa.
Eduarda sempre foi muito mamona. Mamou ainda na primeira hora de vida e nesse momento nasceu o caso de amor dela com meus peitos. (É incrível, ela tem fascinação pelo mamá, gente).

Quando ela tinha cinco meses, voltei a trabalhar. E aí, o drama: COMO MANTER ATÉ OS SEIS MESES?
Foi difícil. Com muita persistência, ordenha, mastite, eu consegui. Nós conseguimos, aliás.
O que ninguém fala a nós, mães de primeira viagem, é que depois da tão sonhada introdução alimentar, a coisa não fica mais fácil. Isso porque o bebê, acostumado com seu alimento direto da fonte, sem uma colher socada na boca, sempre na mesma temperatura, não vai passar a comer assim, de uma hora pra outra. E a coisa tem que ser devagar. Não adianta entrar em desespero, enfiar comida na criança e o estômago dela virar o samba do criolo doido. É vômito e má digestão na certa.

Foi aí que meu leite começou a diminuir. Desesperada, comprei uma lata de Nan. Eduarda odiou. Gosto horrível tem aquilo. Tomou muito pouco e colocou tudo pra fora. Daí me vi obrigada a encontrar uma solução para o meu problema e garantir que ela levasse o leitinho dela todos os dias para a escolinha. Ordenha, noites mal-dormidas, muita água, muito peito cheio e, advinhem: CONSEGUIMOS.

Somente agora, com dez meses, Eduarda tem mamado apenas em casa. Com a iminente chegada de um ano de vida, a alimentação precisa ser mais rica, e aí sim o leite, que até agora era o alimento principal, vira complementar. Mesmo assim, ela mama bastante: quando acorda, depois do almoço, antes da janta, depois da janta e na madrugada. Ufa! Durante o dia, quando está longe de mim, abusamos de frutas, sorvete caseiro (receita abaixo), água e comidinhas.

O que me deixa triste é que nem todo mundo tem orientação ou o interesse por buscar. Ou até mesmo encontra em alguns pediatras a indicação de antecipar a introdução alimentar em virtude da volta ao trabalho. Antes, eu ficava muito puta com isso. Indignada mesmo. Agora eu acredito que a compreensão é mais acolhedora que a recriminação. Talvez chegue o dia em que os pediatras sigam as orientações e não caiam na tentação de antecipar fases da vida de um bebê.

Vamos ao sorvetinho.

Que faz calor, todo mundo sabe. Calor + dentes = necessidade de refrescância. No corpo e na gengiva.

Desde os nove meses, Eduarda experimenta a delícia de um sorvetinho. Faço em casa, tá louca que vou dar gordura pura pra minha filha só porque sim :P

SORVETE DE BANANA COM MIRTILO

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prazer, mirtilo.

Ingredientes:
– Banana e Mirtilo (cê jura, né)

Corto a banana em rodelas e deixo no congelador por uma madrugada. Coloco o mirtilo inteirinho junto também, bem lavado, com casca.

A quantidade vai depender de quanto você quer comer/dar ao seu bebê. Pra uma porção, que dá mais ou menos uns 200ml, uso duas bananas médias e vários mirtilos (eles são pequenos).

Retiro do congelador, coloco tudo no mixer e bato até virar um creme. Pronto! Já fica docinho, por causa da banana.

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“Mãe, esse sorvete engorda?”

Dá pra fazer com mamão, abacate (que Eduarda odeia, mas dá), goiaba. Essas frutas mais consistentes. Eu gosto com banana, porque ela deixa doce e pastoso. Eduarda devora.

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